Entrevista do poeta Leonardo Silva ao cordelista Paulo Tarciso

Entrevista do poeta Leonardo Silva ao cordelista Paulo Tarciso

ENTREVISTA COM O POETA, ESCRITOR E BLOGUEIRO LEONARDO SILVA, MEMBRO DA ACADEMIA BUIQUENSE DAS LETRAS E DAS ARTES.

Paulo Cordel: Bom dia, amigo Léo. É com grande alegria que realizo esta entrevista, para que nossos amigos de Buíque e região possam conhecer um pouco de sua história. De início, gostaria que você informasse os seus dados pessoais (onde nasceu, data, filiação etc).

Leonardo Silva: Nasci na cidade de Arcoverde, as 10h do dia 31 de janeiro de 1983, na casa de Saúde São Lucas, sou filho dos agricultores: Luiz da Silva, natural de Buíque, e Cecília Josefa da Silva, natural de Belo Jardim. Sou o mais velho dos três filhos do casal, sendo dois homens e uma mulher.

Leonardo SilvaPaulo Cordel: Conte-nos, como foi a sua infância.

Leonardo Silva: São dois lados, o primeiro era que quando estava em casa costumava ser muito reservado. Vivia isolado e pensativo. Um dos maiores motivos eram as bebedeiras do meu pai, mas consegui brincar o suficiente para que hoje tenha saudades de alguns momentos da infância. O outro lado da minha infância eu dedico a Creche Nossa Senhora do Livramento, uma instituição que cuidava e ensinava aos filhos de pais que precisavam trabalhar e não tinham com quem deixar suas crianças, as minhas melhores lembranças estão guardadas naquele lugar.

Paulo Cordel: Em que escolas você estudou na fase infante, e quem foram seus(as) professores(as)? Se possível, cite também os nomes de cinco colegas de classe.

Leonardo Silva: O meu primário foi entre a Escola Reunida Imaculada Conceição e Escola Reunida Cardeal Arcoverde. Já o fundamental estudei na Escola Carlos Rios. A professora que marcou minha jornada foi Eliane. foi com ela que conheci as minhas primeiras letras. Já os colegas eu posso citar: Cleyton Macena, Antônio Carlos, Ayanne Silva Amaral, Alan Medeiros, Leandro Alves, Mário Josué e outros tantos.

Paulo Cordel: E depois na fase de jovem, onde você cursou o que nós chamávamos de “segundo grau”. Cite alguns professores e colegas de classe?

Leonardo Silva: Ainda na Escola Carlos Rios eu iniciei o Ensino Médio, mas acabei saindo e passando por: Escola Antônio Japiassú, Escola Lions Antônio Moreno e Escola Duque de Caxias em Buíque. Com essas andanças por diversas escolas durante o 2º grau eu escolho a professora Jaciane Amorim para representar todos os outros, quando aos colegas eu não quero opinar.

Paulo Cordel: Você não é natural de Buíque, mas, como diz um ditado popular corrente em nossa cidade: “Quem bebe da nossa água, dificilmente vai embora”. Como se deu sua vinda para Buíque e como se sente em nosso meio?

Leonardo Silva: Minha primeira passagem por esta cidade foi em 1995, realmente foi só de passagem, pois fomos até o Vale do Catimbau para conhecer as formações rochosas para reproduzirmos através de maquetes, para a Feira de Ciências da Escola Carlos Rios. Dez anos depois eu voltava a Buíque para participar de retiros de carnaval com os jovens da Paróquia de São Félix de Cantalice. Na época eu era um dos Coordenadores Diocesanos de Juventude. Em 2006 fiquei sabendo sobre o concurso Público municipal e resolvi arriscar. Fui aprovado, sendo convocado no ano seguinte. Assim, resolvi ficar por aqui, queria contribuir com algo a mais na cidade que muito bem me acolheu.

Paulo Cordel: No ano de 2010 você publicou um livro, de sua autoria, intitulado “Flor, Paixão e Chocolate”. Fale um pouco sobre essa obra!.

Leonardo Silva: Foi uma publicação feita numa gráfica de Arcoverde, mas tá valendo. Para que esta obra fosse lançada a batalha foi grande, pois pra quem não tem dinheiro é difícil de se realizar algo deste tipo, mas contei com incentivos de amigos, entre estes eu destaco “Mima”, uma pessoa que sempre esteve puxando minhas orelhas, e me doou uma sanduicheira, onde fiz uma rifa e consegui apurar mais de 500 reais. Juntando de pouquinho em pouquinho eu lancei minha primeira obra, com poemas que falam de amor, tanto nos momentos felizes quanto nos momentos de dor.

Paulo Cordel: Como amante da cultura, você sempre está participando de eventos em nossa cidade. Como se deu essa ligação com a cultura?

Leonardo Silva: Não tem como dizer que não foi pelo Sesc Ler Buíque, pois é um dos maiores incentivadores da cultural local e regional. Através desta instituição eu absorvi conhecimentos que levarei por toda vida.

Paulo Cordel: Quem são seus escritores preferidos?

Leonardo Silva: Nacionalmente eu admiro Machado de Assis e Mário Quintana, já na cidade de Buíque eu aprendi respeitar e admirar o nobre cordelista Paulo Tarciso.

Paulo Cordel: Cite duas obras que já leu e recomenta aos leitores?

Leonardo Silva: Contos Fluminenses de Machado de Assis e Infância de Graciliano Ramos.

Paulo Cordel: Cite dois filmes que já assistiu e recomenta aos leitores?

Leonardo Silva: Romeu e Julieta e O Livro de Eli.

Paulo Cordel: Você faz parte da Academia Buiquense de letras e das Artes – nossa ABLA. Na sua visão, qual a importância de um órgão desse em um município?

Leonardo Silva: É difícil de mensurar esta importância, pois é uma instituição que veio para imortalizar e valorizar os seus representantes culturais, no entanto parece invisível aos olhos de comunidade como um todo.

Paulo Cordel: Como participante ativo nos eventos culturais, você tem percebido que temos bastantes artistas em nossa cidade, das mais diversas vertentes. Na literatura, na música, na dança, no artesanato, etc. Na sua visão, por que praticamente em todo o país a cultura tem pouco apoio dos órgãos estatais?

Leonardo Silva: Quem faz cultura, na maioria das vezes não se deixa dominar, isso causa frustação em quem gostaria de manipular uma pessoa ou um grupo de ideias prontas, então as chances de se conseguir algo são baixíssimas. Ainda bem que existem instituições que pensam como a gente.

Paulo Cordel: Você criou e mantem ativo o blog Choque Cultural. Como se deu essa ideia e que assuntos você mais publica em seu jornal eletrônico?

Leonardo Silva: O meu objetivo sempre foi divulgar a cultura, por isso que até chegar ao Choque Cultural Buíque eu testei vários outros nomes, hoje eu tento focar tanto na cultura como na educação e esporte. As parcerias são importantes nessa jornada.

Paulo Cordel: Você é casado com uma pessoa também muito ligada à cultura. Gilvaneide Marques, sua esposa, inclusive participou ativamente durante um bom período, como coordenadora de Cultura no SESC LER de nossa cidade. Nos fale um pouco como se deu esse “romance” e esse casamento até no assunto cultura.

Leonardo Silva: Quando estava atuando como voluntário na Escola Duque de Caxias os professores e funcionários me motivaram a fazer o vestibular na AESA, isso em 2010, iniciando os estudos em agosto do já citado ano. Quando foi em setembro já estava preso no laço que Deus colocou no meu caminho. Hoje estamos casados e desfrutando desta cidade que tanto me faz bem.

Paulo Cordel: Além de você haver participado da fundação da ABLA, também foi muito ativo nas atividades do Grupo de Leitores Cyl Gallindo, que durante um bom tempo promoveu vários eventos em nossa cidade. Conte-nos um pouco sobre esse grupo, quem eram seus componentes e como está atualmente.

Leonardo Silva: O Grupo de Leitores Cyl Gallindo surgiu através de um chamado próprio escritor, onde expressou o desejo de ver a juventude fazer algo por sua cidade, no entanto ele nem imaginava que o grupo teria o seu nome. Começamos em dezembro de 2012, com cerca de 10 jovens, onde realizamos visitas nas comunidades e seus representantes culturais, realizamos também o Expressa Buíque, um evento que tinha a intensão de valorizar os artistas locais, mas por falta de incentivo, fomos forçados a desistir. Hoje o grupo está em modo oculto.

Paulo Cordel: Das publicações em seu blog, tem alguma que você destaca, por algum motivo, seja por número de visitas, comentários, compartilhamentos ou mesmo pelo conteúdo da matéria?

Leonardo Silva: Eu destaco todas as postagens que estão relacionadas a cultura e o esporte da cidade, mesmo que esta não tenha muitas visualizações. Eu não me importo muito com a quantidade de acessos, pois tenho certeza que lá na frente servirão de fonte de pesquisa, e terão seu devido valor.

Paulo Cordel: As redes sociais tem “aproximado amigos distantes”, mas, também, tem afastado muitos amigos que vivem próximos da gente, por causa de algumas postagens provocativas e as vezes até desafiadoras. As paixões doentias e partidárias tem contribuído para isso. Como você avalia essa questão?

Leonardo Silva: Fraqueza!!! As amizades verdadeiras não se deixam abater por coisas vazias, fúteis, sem sentido.

Paulo Cordel: Quais são seus projetos pessoais e culturais para os próximos anos?. Já tem um novo livro em gestação ?

Leonardo Silva: Projetos são muitos, mas as oportunidades… pouquíssimas. Em relação a um novo livro, eu tenho já um material escrito, no entanto a parte financeira está pesando.

Paulo Cordel: Mudando um pouco de assunto, sabemos que a fé, a religião, a crença num ser superior está presente em todas as raças do planeta. Você tem alguma religião. Pra você, quem é DEUS?:

Leonardo Silva: Sou Católico de nascimento!!! Porém, respeito e admiro todo tipo de religião que professa o amor e a paz como bem comum. Deus é o tempo, pois só o tempo para consertar esta humanidade.

Paulo Cordel: Professando ou não uma fé, você acha importante o ser humano se valer da fé para enfrentar as dificuldades que a vida nos apresenta?

Leonardo Silva: Algumas pessoas que não professam uma fé acabam se espelhando em seres humanos hipócritas e inúteis.

Paulo Cordel: Atualmente, infelizmente, estamos tendo notícias de várias pessoas, principalmente jovens se suicidando. Na sua visão, de quem é a culpa?

Leonardo Silva: A humanidade se tornou egoísta, enxergando seu próprio umbigo, pouco importando os problemas do seu próximo. As vezes nós temos a oportunidade de mudar a realidade de alguém e recuamos, desistimos.

Paulo Cordel: Diante de um mundo tão conturbado como o atual, você acha que é possível ser feliz? Se a resposta for positiva, qual a receitas?

Leonardo Silva: Sim! Ama o teu próximo como a ti mesmo.

Paulo Cordel: Apesar de você ainda ser muito jovem, mas, bastante vivido qual foi a sua maior alegria?

Leonardo Silva: Acordar com saúde, ir trabalhar e voltar para casa cansado, mas sabendo que encontrarei alguém que me ama.

Paulo Cordel: Em nossa vida os amigos são muito importantes, por nos auxiliarem nos momentos difíceis e dividir conosco os momentos de alegria. Quem são seus amigos? Diga o nome de pelo menos cinco.

Leonardo Silva: Em 36 anos de vida eu já passei por algumas provações, os amigos que me ajudaram ao longo destes anos não são muitos, mas especiais. Não citarei os nomes para não ser injusto com alguém, mas eles sabem o quando foram e são especiais na minha vida.

Paulo Cordel: Analisando a sua vida, “entre os altos e baixos” que todos nós enfrentamos, você se sente realizado?.

Leonardo Silva: Ainda não, acho que sempre falta algo.

Paulo Cordel: Uma pergunta que deveria ter sido feita e não foi e sua resposta:

Leonardo Silva: Não teria feito perguntas melhores que estas, só tenho a agradecer.

Paulo Cordel: Uma mensagem final para os leitores.

Leonardo Silva: Acreditem no potencial que existe dentro de vocês, não se deixem abater por pequenas pedras no meio do caminho, sejam fortes em todos os momentos da vida, independente de qual seja a situação.

Entrevista realizada no dia 1 de maio de 2019.

Fonte: PauloCordel

Sobre o autor

Escritor e poeta comprometido com a disseminação da cultura e da arte nordestina.

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