Proseando com o Cordelista Diosmam Avelino

Proseando com o Cordelista Diosmam Avelino
Foto: Leonardo Silva

A entrevista de hoje, no quadro “Cultura em Destaque”, você vai conferir como foi a conversa com o poeta e cordelista Diosmam Avelino, que já publicou cerca de 22 folhetos de cordéis. Além dos cordéis o poeta ainda tem muitos poemas escritos, e isso você pode constatar através da sua página no site Recanto das LETRAS.

Vamos deixar de arrodeio e conhecer um pouco sobre a vida deste grade artista pernambucano, um ser humano que acredita no potencial cultural do seu povo e que vive arriado pela literatura de cordel. Diosmam Avelino nasceu para respirar CULTURA. Esse cabra com certeza foi forjado no fogo da SABEDORIA nordestina. Podemos afirmar que é mais um artista BUIQUENSE que saiu cedo de sua terra natal e vive espalhando CULTURA mundo afora.

CULTURA EM DESTAQUE: ENTREVISTA COM O CORDELISTA DIOSMAM AVELINOEC – Quem é Diosmam Avelino?

D.A: Sou um poeta popular, cordelista e declamador, artesão, amante da cultura, principalmente da cultura nordestina. Mas antes de tudo um ser humano que sonha em ver o bem de todos, em ver as pessoas viven

do em paz, com amor, igualdade social, etc.

EC – De onde é? E onde vive atualmente?

D.A: Sou natural de Buíque-PE, nasci na cidade, mas vivi no Sítio Serrote até aproximadamente os cinco anos de idade. Atualmente moro na cidade de Pesqueira – Pernambuco.

EC – Qual a importância da cultura na sua vida?

D.A – A cultura representa uma nação, a cultura representa um povo. A cultura na minha vida é de grande importância para o conhecimento, para a espiritualidade, me faz muito bem, me sinto muito bem fazendo cultura. E com o envolvimento cultural aprendi muito sobre o meu povo, sobre as nossas raízes, é isso. A cultura é um conjunto de ideias.

EC – Quando foi que você começou a se envolver com a cultura?

D.A – Nasci e vivi na zona rural até certo tempo, e ali comecei de garoto a ouvi no rádio de pilha do meu avô algumas canções, tipo toadas, cantoria, embolada, etc. Mas até aí não sabia o que era, apenas sabia que era música, o tempo passou e sempre gostei da música desde a adolescência, desde menino. Sempre gostei muito de toadas, ouvir causos, Luiz Gonzaga.

Então desde a mocidade que de certa forma tenho esse envolvimento com a cultura, de ouvir, apreciar. Mas passei a me envolver mais depois que comecei a escrever poesias por volta do ano 2000, quando ainda morava em Mauá-SP, passei um bom tempo apenas escrevendo e mostrando os poemas pra alguns amigos mais próximos.

Depois veio o envolvimento com artesanato, e tudo foi acontecendo naturalmente, e anos depois vim embora pra Pernambuco, para Arcoverde, passei a me aprofundar mais na cultura, a me envolver, até chegar a vir morar em Pesqueira-PE, onde eu passei a me dedicar mais profundamente, e mergulhar com mais força e vontade. Mas tudo começa por volta do ano 2000, quando comecei a rabiscar os primeiros poemas.

EC – Quais os teus motivadores culturais?

D.A – São alguns familiares, alguns artistas amigos, grandes nomes da nossa cultura, como violeiros repentistas, forrozeiros tradicionais, são professores e professoras que levam nossos trabalhos para suas salas de aula, adolescentes e crianças que participam de oficinas comigo, e a própria grandeza da cultura em si, o povo, etc.

EC – Esse gosto pela cultura teve influência na família?

D.A – Muito pouca.

EC – Qual autor pernambucano tem a sua admiração? Explique sua resposta.

D.A – Apesar de não conhecer tantos, mas tem alguns. Citarei aqui um deles, Cancão – João Batista de Siqueira, de São José do Egito. Simplesmente por que a poesia de Cancão é grandiosa, profunda, bela.

EC – Você realiza algum tipo de oficina? Quais?

D.A – Sim: Oficina de reciclagem com jornal, onde produzimos esculturas e sacolas com jornal. Oficina de literatura de cordel.

EC – Você faz parte de alguma Academia ou Grupo Literário?

D.A – Já fui membro da SOPOESPE – SOCIEDADE DOS POETAS E ESCRITORES DE PESQUEIRA, hoje eu não faço parte de nenhuma academia ou associação de escritores, mas tenho vínculo de amizades com alguns.

EC – Como você enxerga a valorização cultural a nível nacional?

D.A – Sabemos que a cultura é de grande importância para a educação e para representação de um povo, para a formação do cidadão ou cidadã. A cultura infelizmente não é vista da forma que é pra ser, acho que deveria ser muito mais valorizada, deveria ser muito mais trabalhada dentro das escolas, instituições, etc. Acho que o poder público deveria abrir mais os olhos para as raízes culturais que é a base de tudo. Infelizmente a cultura não é valorizada como deveria.

EC – Já realizou ou realiza algum evento cultural para divulgar outros artistas? Qual?

D.A – Sim: O ARRASTA CULTURA – ENCONTRO DE POETAS E ARTISTAS DE PESQUEIRA E REGIÃO, é um evento que está indo para 8° edição, e participam do evento artistas de mais de doze cidades e quatro estados. O arrasta cultura recebe artistas renomados e artistas que estão iniciando na carreira, sempre dando oportunidades e abrindo portas para quem está começando. Também temos outros projetos futuros com o mesmo intuito.

EC – Tem algum livro publicado?

D.A – Ainda não, mas pretendo sim publicar assim que for possível, tenho folhetos de cordéis publicados e participação em algumas antologias poéticas.

EC – Qual a frase que define Diosmam Avelino?

D.A – Não sei! Mas acho que uma palavra que me define é Poesia.

EC – Qual o momento mais marcante nessa sua trajetória cultural?

D.A: Vários:

Por exemplo: Realização do arrasta cultura, participar do filme O MATADOR, produzido pela NETFLIX, realização de oficinas de poesia com adolescentes e ver depois eles produzindo e felizes, publicação dos primeiros cordéis, participação em antologias poéticas, receber o titulo de honra ao mérito como escritor da APEOESP – ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES DO ENSINO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO, etc.

EC – Deixe uma mensagem aos jovens que querem ser escritores?

D.A – Que dediquem-se, estudem, leiam, e escrevam. Sejam simples e humildes. É isso.

EC – Qual pergunta você gostaria de responder, mas eu não perguntei?

A – De onde vem a sua inspiração?

D.A – Responderia que vem de tudo, da natureza, do povo, das dores, das alegrias, enfim de tudo.

B – Você vive da cultura?

D.A – Responderia que ainda não, mas que vivo pra cultura. No entanto gostaria muito de vivar da arte, da cultura.

C – O que é a poesia pra você?

D.A – Responderia que:

POESIA É UMA FORMA DE DIZER ESCREVENDO

O QUE VOCÊ GOSTARIA DE FALAR GRITANDO

Sobre o autor

Escritor e poeta comprometido com a disseminação da cultura e da arte nordestina.

Artigos Relacionados

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Traduzir »